25/08/2026
Equipes de engenharia e consultoria detalham as metodologias de mapeamento, a definição de intervenções estruturais e a validação técnica junto aos proprietários rurais.
Antes que a primeira muda seja plantada ou a primeira bacia de contenção seja escavada, um trabalho minucioso de engenharia e cartografia precisa ser concluído. A espinha dorsal do Programa Produtor de Água é o Projeto Individual por Propriedade (PIP), um documento técnico e personalizado que traduz o diagnóstico ambiental de uma fazenda em um plano de ação executável.
Nas regiões do Médio e Alto Paraopeba, o levantamento está sob responsabilidade da consultoria Água e Solo. Julia Rei, representante da equipe, explica que o processo começa muito antes do desenho técnico, exigindo aproximação com os atores locais. No Médio Paraopeba, o trabalho de campo resultou no mapeamento de 65 propriedades (nas microbacias do Córrego dos Macacos e Ribeirão do Ouro).
"Com base nas informações de campo, elaboramos os diagnósticos e definimos as intervenções mais adequadas para cada propriedade. Isso inclui ações como proteção e recuperação de nascentes, Áreas de Preservação Permanente (APPs), cercamentos, recomposição vegetal, construção de barraginhas e terraços, controle de erosão e melhorias em estradas rurais", detalha Júlia. A empresa agora finaliza as entregas no Médio Paraopeba e inicia o mesmo ciclo no Alto Paraopeba (Congonhas e Ouro Branco).
Integração socioambiental no Baixo Paraopeba
No trecho do Baixo Paraopeba, abrangendo as microbacias em Pompéu e Curvelo, o diagnóstico conduzido pela Gama Engenharia evidenciou a necessidade de soluções que aliassem conservação e aceitação social. Pedro Brito, engenheiro responsável, destaca a importância da análise socioeconômica aliada à técnica:
"O projeto tem um viés ambiental, mas também social. As intervenções propostas envolvem reflorestamento com espécies nativas, mas, em alguns casos, propusemos Sistemas Agroflorestais (SAFs), consorciando nativas com frutíferas, visando uma maior aceitação do proprietário".
Além do componente vegetal, as obras civis são vitais para conter danos severos. Brito ressalta que as estradas rurais são grandes geradoras de processos erosivos. Os PIPs, portanto, preveem a adequação de drenagem dessas vias associadas à construção de barraginhas e ao terraceamento em curvas de nível.
O fechamento dessa etapa técnica consolida-se com a assinatura do "Termo de Aceite". Os técnicos retornam às comunidades, apresentam o projeto para as prefeituras e produtores, permitem ajustes e coletam a assinatura formal. Esse documento é o que garante a segurança necessária para que a Agência Peixe Vivo avance com as licitações e contrate as empresas que executarão as obras no território.
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