25/08/2026
Produtores rurais e lideranças tradicionais destacam a urgência da conservação de nascentes e as expectativas com o início das intervenções no território.
A viabilidade de qualquer política de conservação ambiental em áreas rurais depende, invariavelmente, da adesão de quem vive e trabalha no território. No Programa Produtor de Água, o protagonismo das comunidades locais tem se mostrado um fator determinante para o avanço dos diagnósticos e a aceitação das intervenções projetadas para a Bacia do Rio Paraopeba.
Para o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba (CBH Paraopeba), o envolvimento das famílias cadastradas é o verdadeiro motor do programa. O presidente do comitê, Heleno Maia, que tem percorrido presencialmente os municípios para as reuniões de apresentação e validação dos projetos, ressalta que a preservação hídrica só é possível por meio da parceria com quem está no campo.
"O sucesso de qualquer política ambiental depende de quem está na ponta cuidando da terra. Para o CBH Paraopeba, estar presente nas comunidades e constatar o engajamento das famílias é a prova de que a verdadeira gestão hídrica se faz no território, e não apenas no papel. Nosso papel institucional é apoiar, valorizar e buscar os recursos necessários para amparar o produtor que, na prática diária, preserva as nossas nascentes", afirma Heleno Maia.

A urgência no Alto Paraopeba
Para os agricultores familiares, a iniciativa responde a uma urgência climática latente. O impacto da redução dos lençóis freáticos e a degradação do solo afetam diretamente a subsistência. Eustáquio de Oliveira, presidente da Associação dos Agricultores Familiares de Ouro Branco (AAGRIFAM), reforça esse cenário: "Os produtores estão muito preocupados com a escassez de água, os lençóis freáticos diminuindo e sem apoio para colocar as práticas de conservação em ação. A nossa expectativa é muito boa de encontrar, daqui a dois anos, um cenário bem mais verde".
A escassez hídrica não compromete apenas a lavoura, mas a continuidade de comunidades tradicionais. Geraldino da Costa, presidente da Associação Quilombola do Campinho e diretor da Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais (N'Golo), em Congonhas, enxerga no programa uma oportunidade vital de conscientização: "As nascentes estão acabando e os rios se deteriorando. Sem água, não existe alimento; e sem alimento, não existe vida. Essa é uma ótima forma de abrir a mente das pessoas e tentar remediar um pouco do que já foi perdido".
História e saúde no Médio Paraopeba
A dimensão histórica da recuperação ambiental é evidenciada por quem acompanha as mudanças da terra ao longo de gerações. Antônio Diniz Brochado, cuja família chegou à comunidade rural de Muquém há 74 anos, destaca a força da união entre os moradores de Florestal e Pará de Minas para abraçar o programa:
"Nós somos seis comunidades irmãs aqui na região, com uma ligação muito forte desde a época dos nossos antepassados. A nossa expectativa é melhorar as condições ambientais, atuando na preservação das nascentes, dos cursos d'água e evitando as erosões que contaminam essas fontes. É uma coisa muito importante e com a qual todos nós temos que nos preocupar", aponta o Sr. Antônio.

Em Florestal, a produtora Ângela Maria Alves Resende enxerga os benefícios do projeto de forma sistêmica, conectando a conservação da natureza à saúde de sua família. "Eu espero que, melhorando a qualidade da água, melhore também a qualidade do ar, do solo, dos alimentos e da nossa saúde. Espero ver as plantações melhores para a gente poder colher alimentos sadios e saudáveis", projeta Dona Ângela.
Mobilização e esperança no Baixo Paraopeba
No trecho final de estruturação do programa, em Pompéu, a expectativa pelas obras civis é impulsionada pela necessidade de combater danos severos ao solo. Jaqueline do Carmo da Silva, moradora da Fazenda Boa Vista, próxima à barragem de Retiro Baixo, conta que os projetos individuais chegam para solucionar um problema estrutural da região e promete mobilizar a vizinhança:
"Vai melhorar muito a vida da gente lá. O assoreamento destrói muita mata e destrói as nossas plantações também. Como produtor rural fica mais quieto no meio do mato, a gente acaba não tendo muita informação, mas agora eu vou passar tudo para os vizinhos para cada um saber mais sobre os projetos. Se Deus quiser, espero ver daqui a dois anos tudo verdinho, com as barragens funcionais e as nascentes querendo voltar a produzir água", celebra Jaqueline.
O engajamento massivo verificado em todas as reuniões e assinaturas reflete a compreensão coletiva do território: a água conservada hoje, dentro da propriedade de cada família, é o recurso primário que garantirá o abastecimento e o futuro produtivo de toda a bacia.
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